quarta-feira, março 10, 2010

CN - Persiste

Costuma-se dizer que é nas alturas de crise que as pessoas mostram a fibra de que são feitas e, talvez por isso e pela minha condição de jovem ainda me levar a passar muito tempo à procura da minha verdadeira fibra, acabei por nas últimas semanas não encontrar uns minutinhos para escrever umas singelas linhas a quem gosta de as ler e acaba por as sentir.

Mas, no entanto, é engraçado como Deus nos toca de maneiras tão suaves e me veio puxar as orelhas no sítio onde eu menos esperava encontrá-Lo: na discoteca…

“Então estás à procura de assunto para escrever amanhã?”

Porque não? A verdade é que não posso ficar eternamente a usar a fase atribulada de exames que parecem simplesmente não querer correr bem para descurar os compromissos que um dia assumi…

A verdade é que quando algo não nos corre de feição temos a tendência de só reparar no lado negativo das coisas, isolar-nos e atribuir as culpas a tudo e todos em vez de parar, reflectir e olharmos para nós próprios… Parece muito mais fácil agarrar-nos ao mais fácil, ao mais cómodo, pôr em espera as chamadas indesejáveis e mandar Deus ir dar uma volta…

Porém, há uma palavra que desde o último Convívio Fraterno não me sai da cabeça: “Persiste!”

Na Covilhã como em Proença-a-Nova, na faculdade ou no café, junto dos amigos ou da família, parece-me cada vez mais que há um só caminho: a autenticidade… Devo colocar em cada acto aquilo que tenho e sou, não só dar, mas dar-me… É fácil dizer que estamos a esforçar-nos, mais difícil é podermos dizer que nos entregámos por completo… Mas mais difícil ainda do que dizê-lo é senti-lo e fazê-lo…

Nesta altura de quaresma somos chamados a reflectir nos pequenos sacrifícios… E eu gosto muito desta palavra… Não pela sua associação a sofrimento, mas sim pela sua génese junto da palavra sagrado… Santo… Como ouvi variadíssimas vezes, “Santos são pecadores que não desistem”.

Contra as pedras que aparecem no nosso caminho, seria bom saber responder com autenticidade, entrega e dedicação e por certo o Sol voltará a brilhar na nossa janela num próximo amanhecer, como calor que vem dos céus para transformar em energia e acções profícuas. E para tal, nada melhor do que termos uma visão positivista da vida em vez de nos rendermos a um ciclo vicioso negativista… Adoptar a filosofia das pequenas vitórias… Saber apreciar os pequenos toques e as pequenas e saborosas coisas boas da vida… Os olhares, as palavras, os gestos, as atitudes, as acções que surgem de onde por vezes menos esperamos…

Já dizia Fernando Pessoa: “Pedras no caminho? Guardo todas, um dia vou construir um castelo…”