Teimosamente, as circunstâncias da vida (a que muitos preferem chamar destino) gostam de levar para longe de nós as pessoas de quem gostamos. De quem gostamos muito. Mas, mesmo longe, essas pessoas continuam bem perto de nós, uma vez que, há sentimentos que superam todos os quilómetros.
Se é assim com as pessoas, assim o é também com certos locais que, nostalgicamente, costumamos lembrar quando a saudade bate na janela. Isso leva-me a pensar o que será que pode tornar um local tão importante?
A meu ver, as recordações dos momentos que nos fizeram crescer, sorrir, aprender, aqueles momentos que guardamos no peito, as pessoas que nesse sítio conhecemos, a tranquilidade e a paz que experienciámos. E de tanto repetir essa experiência, acumulamos um certo sentimento de pertença, como se nós pertencêssemos ali e como se aquele sítio fosse um pouco nosso.
Mas, quando chega o dia de partir, porque é preciso estudar, porque é preciso ir à procura de emprego noutras bandas ou tão simplesmente porque se é obrigado a estabilizar a vida em família mais longe e é preciso ceder para amar, rapidamente se instala o desejo de voltar. E é então, ao regressar, que se instalam sorrisos mais poderosos e que se afirma: esta é a minha casa.
É o que acontece com inúmeros conterrâneos nossos que um dia tiveram de partir em busca de uma vida melhor no estrangeiro, onde trabalham arduamente em condições que nem sempre serão as melhores.
Se este jornal é, por vezes, a única ligação que eles têm com a terra que os viu nascer, pois que sintam que ele também é um pouco vosso e que nas singelas linhas que vos chegam, nem sempre escritas por quem mais arte tem, sintam o carinho e a alegria de quem trabalha humildemente por amor a esta vila, demonstrando os pequenos passos seguros que se dão pelo bem-estar e felicidade dos demais.
Que a vida vos retribua toda a coragem e força de vencer e, se me é permitido, gostava de enviar um abraço especial ao meu amigo Bruno Torres, que durante a sua última visita me pôs a pensar neste assunto. Como ele me dizia “nem que seja por mim, não pares de escrever…”
Fica então a promessa: enquanto sentir que as minhas linhas têm nexo e me sentir apoiado neste desafio como tenho sentido, não pararei de vos dar uma parte do pouco que há em mim para dar, uma vez que é dando tudo quanto somos que podemos receber mais do que imaginamos…
sexta-feira, novembro 13, 2009
segunda-feira, novembro 02, 2009
Um novo sopro
Se na minha vida sinto constantes sopros que velejam o meu barco mais além, porque não dedicar alguns minutos da minha vida a partilhar alguns deles? Após um grande vazio reorganizei este meu blog e passarei a colocar aqui os textos das colunas que aparecem no jornal O Concelho de Proença-a-Nova sob o título Capas Negras (daí a abreviatura CN antes dos mesmos), isto para além de alguns outros devaneios ou partilhas que me pareçam pertinentes...
Um grande beijo ou abraço a todos os que se cruzem com este blog...
Um grande beijo ou abraço a todos os que se cruzem com este blog...
CN - Agradece a Deus
Por vezes pensamos que podemos controlar a nossa vida mas é então que algo acontece e nos chama à dura realidade de que só estamos neste mundo de passagem.
Foi assim na passada terça-feira. Um colega meu, quando regressava à Covilhã para mais uma semana de aulas na companhia de mais 2 ou 3 estudantes universitários, sofreu um acidente de viação. Dou graças a Deus por todos estarem bem de saúde e apenas os danos materiais serem avultados. Mas, aproveitando para reflectir, isso levou-me a pensar se dou à minha vida o valor devido.
Por vezes estamos mais preocupados em lamentarmo-nos com a vida desenfreada que levamos, o ritmo louco de tarefas para cumprir, quer a nível profissional, semi-profissional (como é o caso de algumas ocupações em que entrei por vontade própria mas que já exigem muito de mim) ou até pessoal, em vez de agradecermos pelo pouco que temos.
Ora, analisando mais a fundo, tenho um tecto para me abrigar, até hoje ainda não me faltou uma moeda no bolso para comprar o que fosse essencial, tenho comida no prato mal o estômago se manifesta minimamente, tenho família e amigos que se orgulham de mim e de quem posso dizer que fazem de mim uma pessoa feliz e com uma certa estabilidade emocional e mais que isso, tenho acordado todos os dias com saúde para tentar ser hoje um pouco melhor do que fui ontem. Não serão todos estes motivos para eu me sentir grato?
Durante o último fim-de-semana tive a oportunidade de parar por 3 dias e refugiar-me em mais um Convívio Fraterno, durante o qual repeti algumas vezes o seguinte refrão: “Agradece a Deus pela vida que te deu. Pára romeiro e louva a Deus, pela vida, louva a Deus”.
É certo que todos nós passamos por dias mais tristes e atribulados, por dificuldades que nos fazem pensar se não merecemos mais e melhor, mas talvez hoje seja um bom dia para pensarmos no quanto temos para agradecer na nossa vida e dar o primeiro passo no sentido de lutarmos em cada segundo pela nossa felicidade. E esta felicidade não é aquela que se compra no centro comercial, não vem acoplada a um carro novo, não se manifesta através de um copito a mais ou através de um beijo roubado naquela esquina. Esta felicidade manifesta-se na tranquilidade da certeza de que na simplicidade das pequenas coisas podemos encontrar a segurança de darmos o que de melhor temos em nós. Esta felicidade vem de colocarmos amor em tudo o que somos e temos.
Assim, eu, romeiro de tantas estradas, paro para louvar a Deus pela vida que me deu, paro para subscrever este desafio de querer Amar, na certeza de que não estarei só neste caminho.
Foi assim na passada terça-feira. Um colega meu, quando regressava à Covilhã para mais uma semana de aulas na companhia de mais 2 ou 3 estudantes universitários, sofreu um acidente de viação. Dou graças a Deus por todos estarem bem de saúde e apenas os danos materiais serem avultados. Mas, aproveitando para reflectir, isso levou-me a pensar se dou à minha vida o valor devido.
Por vezes estamos mais preocupados em lamentarmo-nos com a vida desenfreada que levamos, o ritmo louco de tarefas para cumprir, quer a nível profissional, semi-profissional (como é o caso de algumas ocupações em que entrei por vontade própria mas que já exigem muito de mim) ou até pessoal, em vez de agradecermos pelo pouco que temos.
Ora, analisando mais a fundo, tenho um tecto para me abrigar, até hoje ainda não me faltou uma moeda no bolso para comprar o que fosse essencial, tenho comida no prato mal o estômago se manifesta minimamente, tenho família e amigos que se orgulham de mim e de quem posso dizer que fazem de mim uma pessoa feliz e com uma certa estabilidade emocional e mais que isso, tenho acordado todos os dias com saúde para tentar ser hoje um pouco melhor do que fui ontem. Não serão todos estes motivos para eu me sentir grato?
Durante o último fim-de-semana tive a oportunidade de parar por 3 dias e refugiar-me em mais um Convívio Fraterno, durante o qual repeti algumas vezes o seguinte refrão: “Agradece a Deus pela vida que te deu. Pára romeiro e louva a Deus, pela vida, louva a Deus”.
É certo que todos nós passamos por dias mais tristes e atribulados, por dificuldades que nos fazem pensar se não merecemos mais e melhor, mas talvez hoje seja um bom dia para pensarmos no quanto temos para agradecer na nossa vida e dar o primeiro passo no sentido de lutarmos em cada segundo pela nossa felicidade. E esta felicidade não é aquela que se compra no centro comercial, não vem acoplada a um carro novo, não se manifesta através de um copito a mais ou através de um beijo roubado naquela esquina. Esta felicidade manifesta-se na tranquilidade da certeza de que na simplicidade das pequenas coisas podemos encontrar a segurança de darmos o que de melhor temos em nós. Esta felicidade vem de colocarmos amor em tudo o que somos e temos.
Assim, eu, romeiro de tantas estradas, paro para louvar a Deus pela vida que me deu, paro para subscrever este desafio de querer Amar, na certeza de que não estarei só neste caminho.
CN - Pequenos anjos
A vida corre a um ritmo alucinante. Há instantes que duram segundos, segundos que valem por minutos, minutos que dão significado às horas, horas que nos trazem mais um dia, dias em que vamos construindo a nossa vida, que com o passar dos anos ganha novas perspectivas, novas experiências, novos ideais e novos desafios. Também passaram dias, meses, talvez anos, desde que a minha vida ganhou o desafio de tentar mostrar a minha perspectiva dos ideais de vida que sinto valerem a pena pelas experiência que vivencio. E, hoje, aqui sentado, resolvi responder sim a esse desafio e escrever estas primeiras linhas.
Pensei chamar-lhes capas negras, porque é essa capa que por vezes coloco aos ombros que marca quase todos os dias da minha vida e de grande parte daqueles que, como eu, um dia deixaram esta terra para estudar. “Frio nas mãos, calor no peito” canta a tuna da cidade que me acolheu. E se me sinto em casa, se fui bem recebido, se sou eu que construo todas as horas do meu dia por lá, a maior experiência que tive e que quero partilhar passa mesmo pelas horas em que no meu peito também faz frio.
Costuma-se dizer que só damos valor às coisas quando as perdemos, ou quando sentimos a sua falta. Pois bem, quando o jovem parte para uma nova etapa, como é o caso do ensino superior, tem em si todos os sonhos do mundo, mas nem sempre se encontra preparado para lutar por eles. Seja por não saber lidar bem com a responsabilidade, com a liberdade, com a obrigatoriedade de conquistar novas pessoas e novos alicerces para a sua vida, o que é certo é que só Deus (e provavelmente as suas almofadas) sabe o quanto cada um destes jovens chora, ou o quanto desejavam por momentos voltar a casa. Se se arrependem? Talvez alguns sim, mas estou certo que quase todos eles responderiam que não, que são felizes e que adoram a boémia, trabalhosa, inconstante e surpreendente vida académica… Eu também assim responderia.
Mas se falei dos dias em que no meu peito faz frio foi porque penso que escondidos nas casas desta nossa terra há pessoas que também guardam a sua capa… Não capas negras, mas capas de autênticos super-heróis, que num papel tantas vezes invisível e tantas vezes desprezado por quem é salvo por si, vão actuando e vão contribuindo para cada pequeno sucesso, cada pequena conquista daqueles que amam. Pais, mães, irmãos, familiares ou “simples” e puros amigos, cada um dando o que de melhor tem de si, lutam e sofrem por aqueles que um dia viram partir para mais longe, mas que mantém bem perto dos seus corações, aparecendo com a sua mão invisível para amparar as suas quedas.
A estabilidade, o apoio, o ombro amigo, o incentivo, a compreensão e o Amor são apontamentos indispensáveis ao sucesso de cada estudante. É bom que cada um pense nisso, quer quem o dá, quer quem o recebe (e deveria retribuir), na simplicidade das pequenas coisas.
Assim, com a simplicidade ternurenta de uma expressão tão beirã que significa bem mais do que as simples letras que a compõem, deixo-vos a vós, heróis invisíveis do meu e de tantos outros quotidianos, o meu mais sincero tributo, carregado de sentimento.
Bem hajam!
7.set.09
Pensei chamar-lhes capas negras, porque é essa capa que por vezes coloco aos ombros que marca quase todos os dias da minha vida e de grande parte daqueles que, como eu, um dia deixaram esta terra para estudar. “Frio nas mãos, calor no peito” canta a tuna da cidade que me acolheu. E se me sinto em casa, se fui bem recebido, se sou eu que construo todas as horas do meu dia por lá, a maior experiência que tive e que quero partilhar passa mesmo pelas horas em que no meu peito também faz frio.
Costuma-se dizer que só damos valor às coisas quando as perdemos, ou quando sentimos a sua falta. Pois bem, quando o jovem parte para uma nova etapa, como é o caso do ensino superior, tem em si todos os sonhos do mundo, mas nem sempre se encontra preparado para lutar por eles. Seja por não saber lidar bem com a responsabilidade, com a liberdade, com a obrigatoriedade de conquistar novas pessoas e novos alicerces para a sua vida, o que é certo é que só Deus (e provavelmente as suas almofadas) sabe o quanto cada um destes jovens chora, ou o quanto desejavam por momentos voltar a casa. Se se arrependem? Talvez alguns sim, mas estou certo que quase todos eles responderiam que não, que são felizes e que adoram a boémia, trabalhosa, inconstante e surpreendente vida académica… Eu também assim responderia.
Mas se falei dos dias em que no meu peito faz frio foi porque penso que escondidos nas casas desta nossa terra há pessoas que também guardam a sua capa… Não capas negras, mas capas de autênticos super-heróis, que num papel tantas vezes invisível e tantas vezes desprezado por quem é salvo por si, vão actuando e vão contribuindo para cada pequeno sucesso, cada pequena conquista daqueles que amam. Pais, mães, irmãos, familiares ou “simples” e puros amigos, cada um dando o que de melhor tem de si, lutam e sofrem por aqueles que um dia viram partir para mais longe, mas que mantém bem perto dos seus corações, aparecendo com a sua mão invisível para amparar as suas quedas.
A estabilidade, o apoio, o ombro amigo, o incentivo, a compreensão e o Amor são apontamentos indispensáveis ao sucesso de cada estudante. É bom que cada um pense nisso, quer quem o dá, quer quem o recebe (e deveria retribuir), na simplicidade das pequenas coisas.
Assim, com a simplicidade ternurenta de uma expressão tão beirã que significa bem mais do que as simples letras que a compõem, deixo-vos a vós, heróis invisíveis do meu e de tantos outros quotidianos, o meu mais sincero tributo, carregado de sentimento.
Bem hajam!
7.set.09
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