Teimosamente, as circunstâncias da vida (a que muitos preferem chamar destino) gostam de levar para longe de nós as pessoas de quem gostamos. De quem gostamos muito. Mas, mesmo longe, essas pessoas continuam bem perto de nós, uma vez que, há sentimentos que superam todos os quilómetros.
Se é assim com as pessoas, assim o é também com certos locais que, nostalgicamente, costumamos lembrar quando a saudade bate na janela. Isso leva-me a pensar o que será que pode tornar um local tão importante?
A meu ver, as recordações dos momentos que nos fizeram crescer, sorrir, aprender, aqueles momentos que guardamos no peito, as pessoas que nesse sítio conhecemos, a tranquilidade e a paz que experienciámos. E de tanto repetir essa experiência, acumulamos um certo sentimento de pertença, como se nós pertencêssemos ali e como se aquele sítio fosse um pouco nosso.
Mas, quando chega o dia de partir, porque é preciso estudar, porque é preciso ir à procura de emprego noutras bandas ou tão simplesmente porque se é obrigado a estabilizar a vida em família mais longe e é preciso ceder para amar, rapidamente se instala o desejo de voltar. E é então, ao regressar, que se instalam sorrisos mais poderosos e que se afirma: esta é a minha casa.
É o que acontece com inúmeros conterrâneos nossos que um dia tiveram de partir em busca de uma vida melhor no estrangeiro, onde trabalham arduamente em condições que nem sempre serão as melhores.
Se este jornal é, por vezes, a única ligação que eles têm com a terra que os viu nascer, pois que sintam que ele também é um pouco vosso e que nas singelas linhas que vos chegam, nem sempre escritas por quem mais arte tem, sintam o carinho e a alegria de quem trabalha humildemente por amor a esta vila, demonstrando os pequenos passos seguros que se dão pelo bem-estar e felicidade dos demais.
Que a vida vos retribua toda a coragem e força de vencer e, se me é permitido, gostava de enviar um abraço especial ao meu amigo Bruno Torres, que durante a sua última visita me pôs a pensar neste assunto. Como ele me dizia “nem que seja por mim, não pares de escrever…”
Fica então a promessa: enquanto sentir que as minhas linhas têm nexo e me sentir apoiado neste desafio como tenho sentido, não pararei de vos dar uma parte do pouco que há em mim para dar, uma vez que é dando tudo quanto somos que podemos receber mais do que imaginamos…
sexta-feira, novembro 13, 2009
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