Esta noite sentei-me na varanda a aproveitar a brisa que corria para refrescar ideias… Ao longe luzes cada vez mais pequenas… Aldeias, estradas, vida... Pontos minúsculos num horizonte cuja grandeza parece oculta, mas ao mesmo tempo de uma beleza inquietante… Junto a mim, outras luzes… Ruas desertas, silêncios de quando em vez rompidos por um automóvel, por um trabalhador que regressa tardiamente ao seu lar… Janelas iluminadas nos prédios em redor apesar da hora tardia… Não estou só, pensei…
A verdade é que por vezes nos fechamos de tal forma naquilo que dizemos ser os problemas da nossa vida que nem paramos para sentir o pulsar da vida em nosso redor… Um pouco como a música que neste momento toca junto aos meus ouvidos, calando os grilos que cantam incessantemente e que apenas consegui descobrir desde que o Sol regressou e passei a abrir mais a janela do meu quarto… Sim, na cidade também há grilos… É mais um toque que me faz sentir mais perto de casa… Mas custou a encontrá-lo…
O silêncio dói, o silêncio custa, o silêncio brinca às escondidas e foge de nós, mas talvez apenas porque não queremos ouvir o que ele tem para nos dizer… E fazer silêncio é difícil e muito mais complexo do que apagar todas as fontes de ruído… Deixarmo-nos entregar e marcar um café com o nosso eu mais profundo, com uma avaliação do que temos feito, do que temos vivido, do que temos sido… Procurar saber se os passos que damos são firmes, ou mais que isso, se nos levam ao destino certo…
Respostas? Variadas, imprecisas, vagas… Certezas? Muito dificilmente… Rumos! Análise e orientação… Força, estímulo, coragem…
Por vezes sinto que este mundo deixou de sonhar… Que prefere fincar os pés na sua própria casa a meter a mochila às costas e caminhar… Pois bem, já dizia o poeta, “Pelo sonho é que vamos” e quem desiste de sonhar, quem deixa de lutar, dificilmente atinge as metas a que se propôs…
É importante chegar ao destino, mas o essencial é partir, pois sem fazer caminho ninguém chega… Há que trilhar, sabendo que não vamos sozinhos… Por vezes parar, dar uma volta sobre nós próprios e ver tudo quanto nos rodeia… As pequenas luzes que iluminam a nossa escuridão, as nossas fraquezas, a nossa noite… Distantes, aqui ao lado, tão perto, tão longe… Mas presentes! Tu, romeiro, nunca vais sozinho… E se por vezes sentes que na areia apenas vês um par de pés a andar, se por vezes sentes que os teus pés não têm chão, confia! Entrega-te, talvez alguém te leve ao colo, talvez voes suspenso, caminhando sobre o mar da adversidade…
Esta noite, parei… Fiz silêncio… Escutei… Senti… E é por isto que a vida de um estudante longe de casa, de um qualquer jovem que procura cimentar a sua vida, ganha novos contornos com cada experiência, porque queremos sonhar, queremos caminhar, queremos ser… E quando vivemos, quando aprendemos com os nossos erros e nos sentimos inquietos e insatisfeitos com o que temos é bom sinal… É muito bom sinal… Porque quem assim se sente, mais não tem que uma excelente oportunidade para acordar, meter os pés no chão e lutar! Passo a passo, degrau a degrau, hoje vou ser um pouco melhor do que fui ontem…
terça-feira, maio 11, 2010
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5 comentários:
- Confesso que já a algum tempo sigo o teu blog, e fico preplexa como consegues por as palavas no citio certo, as vezes sentimos que estamos sozihnos e que o que pensamos e sentimos é que está mal, mas agora que reparo es um poucon parecido comigo, ou eu contigo! quero agradecer-te pois mesmo sem saberes me ajudas (: espero que Deus te ilumine sempre mas sempre mesmo.. Grande beijinho André
Wow! Vejo que não perdeste de maneira nenhuma o jeito que tinhas para escrever. Antes pelo contrário! Provavelmente a melhor coisa que li esta semana. Abraço
Embrenhada na minha monografia (que ainda nao lhe destrincei bem o significado de ser escrita por uma so pessoa, tendo em conta as fontes que me obrigam a referir), distrai-me ou talvez até me ocupei a ler um pouco deste teu canto.
Gosto de escrever, ou gostava... acho que antiga catadupa de ideias que tinha se desvanceram pelas paginas de um qualquer livro de anatomia.
De qualquer forma, gosto de ler, e muito! coisas bem escritas de preferência e acredita que sou exigente.. nao digo isto por seres meu amigo, mas a verdade é que escreves realmente bem.
E para além disso tudo o mais importante.. transmites ideal.. e sem duvida identifico-me com o teu olhar de vida..
Espero um dia, conseguir escrever como tu... ou ao menos escrever qualquer coisa que eu goste de ler... talvez o verão me traga inspiração...
De uma leitora que passou a ser assidua!
Um dia serás mais além, um dia serás grande... um dia serás muito mais do que já foste... ah! desculpa, deixa-m corrigir, tu já és mais além, és grande e já és muito mais do que ontem... gosto de ti tal como és...:P beijo MJB
Fabuloso texto André! Tens passagens mesmo boas, gostei especialmente: "O silêncio dói, o silêncio custa, o silêncio brinca às escondidas e foge de nós, mas talvez apenas porque não queremos ouvir o que ele tem para nos dizer… E fazer silêncio é difícil e muito mais complexo do que apagar todas as fontes de ruído…"
Parabéns, continua a escrever!
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